segunda-feira, 10 de dezembro de 2018


Bom dia, Senhor Presidente.

Acompanhei toda a sua trajetória. Orei pela sua completa restauração, depois do atentado sofrido em Juiz de Fora, em plena Semana da Pátria. Tenho convicção de que aquele acontecimento, apesar de ser mau, contribuiu para o seu bem e consolidou a sua vitória nas eleições presidenciais.

Creio que seu governo será uma grande bênção para o Brasil e os brasileiros. Suas escolhas para composição do Ministério e as indicações para os cargos mais importantes da Administração Pública Federal têm sido muito bem feitas e acredito que elas serão benéficas para prevenir a corrupção e, nos casos em que não seja possível a prevenção, promover a punição dos corruptos e corruptores.

Uma questão, Senhor Presidente, tem me incomodado muito. É com relação à Reforma da Previdência. É fato que uma reforma deve ser feita, mas as propostas que têm sido levantadas até agora, estão carregadas de injustiça. Permita-me levantar a maior delas: a elevação da idade mínima para aposentadoria. 

Esta proposta, que, infelizmente, tem sido o carro-chefe, coloca o contribuinte da Previdência como o responsável pelo desequilíbrio das contas públicas. Está comprovado que não é. Os próprios auditores da Receita Federal já informaram a toda a População que os responsáveis pelo rombo na Previdência são justamente o Governo e as empresas públicas ou de economia mista.

O Governo, porque não cumpre o que dispõe os artigos 194 e 195 da Constituição Federal, que determinam que ele repasse para a Previdência os valores arrecadados com a CIDE e a COFINS. Os auditores federais já declararam que o Governo não cumpre sua obrigação. Nós pagamos e ele não repassa o valor arrecadado.

Além disso, as empresas públicas estão entre os maiores devedores da Previdência. E, para completar a lista, empresas ligadas ao Governo pelos esquemas fraudulentos, como JBS, Odebrecht e outras completam a lista daqueles que devem e cujas dívidas são completamente ignoradas, como se estivesse tudo bem. Os auditores chegaram à conclusão que caso o Governo e essas empresas cumprissem com suas obrigações previdenciárias, a Previdência fecharia com superávit todos os anos.

É claro que os benefícios previdenciários devem ser revistos, principalmente no caso daqueles que acumulam várias aposentadorias. Também deve ser daqueles que recebem valores acima do teto constitucional, equivalente ao subsidio dos Ministros do STF.

Esse teto tem sido constantemente ultrapassado. E os beneficiários afirma que estão recebendo tudo nos limites da Lei. Eu pergunto, Senhor Presidente:

1. Não seria o caso de arguir a inconstitucionalidade dessas leis, o caminho mais justo e adequado de equilibrar não apenas as contas da Previdência, mas do Setor Público como um todo, nos níveis federal, estadual e municipal?

2. Não seria o caso de anular todos os caminhos que permitem o recebimento de valores muitas vezes superiores aos R$ 33.700,00 que deveria ser o teto?

3. Por que penalizar ainda mais o trabalhador, com a elevação da idade mínima, se as condições de trabalho são tão penosas que poucos conseguem permanecer em atividade depois dos 60 anos?

4. Finalmente, como um trabalhador que perde, ainda que sem motivo justo, o seu sustento depois dos 60 anos de idade, poderá competir com aqueles que estão no auge de sua forma física e de sua saúde?

5. Por tudo isso, Senhor Presidente, antes de elevar idade mínima de aposentadoria, antes de penalizar ainda mais o cidadão submetido a todo tido de exploração por parte do Poder Público e de empresários desonestos, antes de aumentar o nível de pobreza da população em benefício dos corruptos, ordene a cobrança de todos os débitos previdenciários e faça valer o teto constitucional nos salários e benefícios pagos pelos órgãos do Governo. Depois disso, caso seja necessário, retome a proposta que está em pauta. Mas, somente depois disso.

Não permita, Senhor Presidente, que seu nome seja incluído entre aqueles que se organizam para penalizar ainda mais os que fazem tanto pelo Brasil e que recebem tão pouco. Ou, para utilizar uma passagem bíblica que cabe perfeitamente no assunto desta carta:

Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos! Isaías 10:1,2

Por tudo isso, Senhor Presidente, eu peço humildemente sua reconsideração sobre o assunto. Eu reconheço Vossa Excelência como um Agente de Deus para transformação das relações sociais no Brasil. Já orei e continuarei orando para que sua missão seja cumprida, conforme a Vontade do Senhor do Céu e da Terra. 

FONTES:





http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-02/devedores-da-previdencia-devem-quase-tres-vezes-o-deficit-do-setor







ADOÇÃO TARDIA:
O QUE PRECISA PARA DAR CERTO?
 
Eu, como milhares de outros cidadãos, tenho interesse na adoção de uma criança. Claro, a primeira coisa que pensamos é na melhor forma de realizar essa importante tarefa. E nos sentimos muito mais confiantes de poder realiza-la bem, se a criança está ainda na fase préescolar, daí a preferência por bebês ou crianças com idade até seis anos.
Apesar da preferência pela adoção de crianças com idade inferior a sete anos, tenho abertura para ampliar os limites inicialmente fixados. Por isso, quero manifestar o meu apoio a iniciativas como esta, da Adoção Tardia, ainda que, para fazer isso, necessite apontar as falhas que vejo na proposta em questão.
Entretanto, para que essa proposta possa dar certo e contar com meu engajamento completo, algumas medidas precisam ser tomadas e a sociedade deve cobrar do Governo políticas mais condizentes com a realidade e com a necessidade dos cidadãos que desejam adotar uma criança. Afinal de contas, nos colocamos numa condição de parceria com o Poder Público, que concentra os recursos disponíveis para essa importante função social.
Comecemos pelo custo que é transferido do Governo para o cidadão. Uma publicação do “Globo”, traz uma matéria elucidativa sobre o assunto. Vejamos:
1.       Enquanto o custo médio de criação de uma criança com idade entre 04 e 06 anos é estimada em R$ 45.000,00, ou R$ 15.000,00 por ano, o de uma criança com idade entre 07 e 10 anos sobe para R$ 70.000,00 e de 11 a 14 anos, para R$ 86.000,00. Ou seja, chega quase ao dobro do gasto. Isso é um grande problema e de difícil solução, quando se percebe que a maioria dos adotantes, tem uma renda entre R$ 4.000,00 e R$ 5.000,00 por mês.
 

2.       Resulta disso que, para estimular a adoção de crianças com idade superior a 07 anos, algumas situações precisam ser mudadas. Inclusive poderia se pensar num bônus concedido pelo Poder Público aos pais que adotassem crianças, principalmente com idade mais elevada e tendo em vista que o Governo deixaria de gastar com elas mantendo-as em abrigos e casas de acolhimento oficiais ou conveniadas. Ainda assim, ele teria um custo menor e as crianças um atendimento muito melhor e, acima de tudo,  personalizado.
 
3.       Ocorre, porém, o oposto. O Poder Público, ao invés de oferecer bônus para os adotantes de crianças com idade elevada, procurando aumentar o interesse por essa faixa etária, consegue fazer ainda pior. Veja o quadro abaixo, retirado de uma unidade de recursos humanos do Governo do Estado de São Paulo:
A única medida de apoio ao adotante é a concessão de uma licença de 06 (seis) meses, mas somente nos processos de adoção ou guarda judicial de crianças com menos de 07 anos. 
Eu pergunto: se o problema está justamente no fato de casais procurarem crianças com idade inferior a 07 anos, por que a fixação de uma política nefasta como essa? Isso coloca o Poder Público como o maior responsável pela situação de desinteresse pela adoção de crianças com mais de 07 anos e adolescentes de todas as idades.

 
FONTE: http://www.recursoshumanos.sp.gov.br/manualAdocao.html> Acesso em 10/12/2018, 11:37h
Apelo, portanto, aos proponentes da adoção tardia e aos apoiadores dessa importante e necessária iniciativa que envidem esforços no sentido de mudar essa política pública ligada à adoção. Muito pode ser feito. Nós, enquanto sociedade, temos total disposição e interesse para fazer. Agora, os administradores dos recursos públicos precisam ter, no mínimo, a mesma disposição. 
Se isso não acontecer, a Adoção Tardia dificilmente alcançará seu objetivo. E isso será uma pena e uma grande perda para muitas gerações de crianças com elevadíssimo grau de vulnerabilidade.
ANTONIO CUSTODIO LOPES